A luz vermelha acende, e o espetáculo começa.
Em meio aos carros, gasolina e isqueiro são as armas da garota que seduz com o fogo. Joga os malabares em chamas para o alto e ilumina um pedacinho entre a Nove de Julho e a Rua Estados Unidos. Enquanto hipnotiza quem passa por ali, só pensa na filha e no marido que sustenta com o dinheiro que recebe nos semáforos.
Sandra começou a trabalhar nas ruas com malabarismo não por amor a arte, mas pela necessidade de quem já não via mais saída. Num natal, em que o desespero tomou conta da família, ela saiu pra rua e foi para o farol, sem nem saber como jogar os malabares.
“Eu fiquei olhando os meninos fazerem, e aí tomei coragem e fui fazer também. Derrubei tudo, morri de vergonha, mas quando fui passar pra pegar dinheiro ganhei 50 reais no primeiro carro. Dalí fui direto pro mercado, comprar comida pra levar pra casa”.
Hoje, dois anos depois, Sandra se apaixonou pelo malabarismo, e a cada dia seu show fica mais completo, mais arriscado.
Quando passar por aquele farol preste atenção: sempre terá alguém gritando e aplaudindo a mulher do fogo.